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Gruta do Lapão a Maior Gruta de Quatzito do Brasil, Chapada Diamantina, Lençóis - BA

Atualizado: 9 de ago. de 2022


Para chegar até o destino final tivemos bastante dificuldade devido à falta de informação e relatos mais detalhados tanto na internet e também por parte dos moradores da região.


A Gruta do Lapão, localizada na cidade de Lençóis dentro da Chapada Diamantina – BA, é considerada a maior gruta de quartzito do Brasil juntamente à Gruta das Bromélias em MG.


Está gruta era rica em diamantes e foi explorada por garimpeiros de 1845 a 1871. É preciso ter cuidado para a visita além de fatores que mencionarei mais pra frente deste relato, devido aos túneis e escavações que foram feitas existem muitas pedras soltas e em época de chuvas o passeio torna-se inviável pois o rio que passa logo abaixo sobe rapidamente podendo levar a possíveis acidentes graves.


Possuindo cerca de 1km de extensão com uma abertura de saída de cerca de 60 metros de altura. E como a proposta para a viagem era que conseguíssemos fazer grande parte das trilhas por conta própria e sem guia partimos com as únicas informações que tínhamos reunido: 1- Localização do Google 2- Fotos da Gruta 3- Indicação e informações coletadas (repassada por um garçom dias antes quando estávamos em Morro de São Paulo. Inclusive escolhemos este destino por sua super recomendação).


Então decididos, partimos do Camping Lumiar que se localiza no centro da cidade de Lençóis e caminhamos por cerca de 30 minutos (+/- 3km) até a entrada do início da trilha sinalizada no Google Maps. (Para hospedagens confiáveis em qualquer lugar do mundo clique aqui.)

Seguimos confiantes com a rota do Google (imagem ao lado) até o início da trilha, lembrando que localizações do Google nunca são 100% confiáveis, ainda mais em regiões mais afastadas. É importante tomar cuidado com isso.


Bom chegando à entrada da trilha existe uma bifurcação sem sinalização alguma com indicação do caminho. Por sorte vinha um caminhão pela rota da esquerda e pedimos informações.


O motorista não conhecia o destino, mas afirmou que pelo caminho de onde vinha existia um pequeno vilarejo local. Logo concluímos que o caminho correto era pela rota da direita.



Entramos à direita e percorremos pela trilha batida e na maior parte do tempo com mata fechada por cerca de 2km até chegarmos em uma região bem alta e descampada.


Após percorrermos cerca de 40 minutos de trilha de terra batida e mata fechada com pequenos intervalos de mata aberta, chegamos a um trecho totalmente aberto.

A partir desse momento mal sabíamos que estávamos bem próximos do destino final.


Mas devido a informações que tínhamos coletado de que o caminho seria simples através de trilha batida chegando até a uma grande fenda que levaria até a gruta, resolvemos continuar pelo caminho que seria o mais racional e lógico, visto que, a partir deste momento já se apresentavam outras rotas e vários caminhos por onde poderíamos seguir (um prato cheio para se perder).


Seguindo pelo caminho mais lógico percebemos pelo GPS que estávamos nos afastando do destino sinalizado no mapa, apesar disto continuamos, pois a maioria dos locais em regiões montanhosas a rota para o destino nunca é uma linha reta.


Sendo geralmente, a maneira mais correta e acessível, através de rotas que contornam o ponto final de modo que o ganho de elevação ocorra aos poucos.

Então, percorremos por cerca de 500 metros até dar de cara com uma mata super densa e fechada e sem caminho demarcado. E pensamos "Opa pera aí".


Decidimos retornar e apesar do desapontamento com a situação e sensação de viagem perdida, tentamos raciocinar como faríamos para achar o destino que aparentemente estaria bem perto.


Retornamos até o trecho descampado e se aproximando de um grande abismo conseguimos sinal de celular e pesquisamos por fotos da gruta para que pudéssemos de alguma maneira tentar nos localizar. (recomendamos salvar fotos de referência antes da partida, rs).




Chegamos a conclusão pelas fotos, informações coletadas e pelo ponto sinalizado no GPS (imagem anterior), que a única explicação por não termos encontrado a gruta ainda, é por estarmos exatamente em cima dela.


Essa grande sacada nos levou a ir até o ponto sinalizado na seta vermelha (foto acima) quando tivemos a grande surpresa.



Enfim localizamos a gruta e o belíssimo ponto para tirar fotos. Mas e agora como ir até a gruta?


Como mencionei no começo do relato recebemos a indicação da gruta por um garçom em Morro de São Paulo, dias antes.


O mesmo mencionou que a chegada até a gruta era através de uma fenda na pedra.


Então após localizarmos a gruta, conseguimos avistar esta tal fenda.




A partir daí, o desafio era chegar até lá. Aparentemente pode parece ser bem tranqüilo por conseguirmos ter avistado o local, entretanto na prática é sempre um pouco diferente.


Para chegar até a fenda o caminho era bem sinuoso com muitas pedras e moitas que dificultavam a caminhada.


E se não bastasse não havia caminho definido nem trilha demarcada até o início da fenda, o que se tornava mais um motivo de preocupação e precaução.


Como todo aventureiro que se preze, devemos usar a criatividade e sempre nos preparar para os mais variados tipos de situações que possam vir acontecer.


Uma das táticas para não se perder, além do exercício da boa memória, é utilizar elementos da paisagem como pontos de referência no seu caminho. Com muito cuidado para não ser traído pela sua memória (é bem comum).


Nesse caso aproveitamos pulseirinhas coloridas compradas em visita à Basílica do Senhor do Bonfim – Salvador, para nos apoiar e guiar no caminho de volta caso necessário e foi de grande necessidade, fez com que não tivéssemos dúvida de que estávamos no caminho correto.


Amarramos em galhos e plantas específicas durante o caminho, geralmente quando o caminho deveria ser desviado ou guiado em algum sentido. Outra dica é, caso seja possível risque com pedras no chão a direção correta para seguir na volta.


Para não estender muito, pois não é o foco da postagem você pode acessar informações mais detalhadas de táticas para não se perder.





Finalmente iniciamos a decida pela fenda em destino ao ponto final Gruta do Lapão.

Recomendo que jamais façam esta decida desacompanhados ou caso tenha algum tipo de limitação física e dificuldade de mobilidade.


Pois existem dois pontos do caminho que é preciso fazer uma pequena escalada nas pedras









Chegando à abertura de entrada da gruta é realmente incrível a noção da dimensão e proporção de espaço que se tem.


Esta percepção não cabe em imagens nem conseguiria descrever e resumir em palavras a grandiosidade que é. Somente estando ali de corpo presente para compreender.




O buraco da gruta não coube na foto. Somente caminhando cerca de 300m a dentro consegui registro da abertura.


Não percorremos o caminho até o fim, pois já estava tarde e precisávamos retornar antes do anoitecer.


Mas há relatos que ao longo do caminho existem estalactites que a título de curiosidade, diferentemente dos espeleotemas de calcário que são formados 1cm a cada 33 anos, os de quartzito crescem 1 cm a cada 100 anos dependendo da intensidade do gotejamento.


É uma pena muitas dessas formações já terem sido destruídas pela atividade do garimpo.

Há relatos que existem outros meios de se chegar à gruta. Este é um deles.


A Gruta do Lapão apesar de pouco reconhecida e mencionada como excelente destino turístico para se visitar dentro da Chapada Diamantina, é altamente recomendadíssima por nós.


A recomendação é que vá preparado, reúna o máximo de informações possíveis, leia este relato atentamente e se não se sentir plenamente confortável contrate um guia local.


Os guias credenciados, além de promover um percurso mais seguro e certo, geralmente tem muito a acrescentar sobre as informações históricas e culturais da região. Você além de desfrutar ao máximo do passeio e sem preocupação ajuda os moradores locais e a economia da região.


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